Contando Contos

• 13/2/2008 - Elca, de Francisco Brines

 

ELCA

  

A Juan Bautista Bertrán

 

   Tudo é flor: as rosas

aromam o caminho.

E ali passeia o ar,

se estaciona o fulgor,

e roça minha vista

a luz, a flor, o ar.

 

   Que tudo vai ao mar:

e larga sombra cai

das montanhas de prata,

pisa os breves pomares,

ofusca os poços, chega

com seu frio ao mar.

 

   Tudo é paz: a hera

desborda do telhado

com rumor de jardim:

jasmins, asas. Ascendem,

até o azul do céu,

os ramos do cipreste.

 

   Que tudo vai ao mar:

e a turva laranjeira

enviuvou em sua flor

para voar pelo vento,

cruzar fundas alcovas,

ir por dentro do mar.

 

   Tudo é feliz vida:

e ante o verdor do pinho,

os gerânios. A casa,

a branca e silenciosa,

tem abertas varandas.

Dentro, vivemos todos.

 

   Que tudo vai ao mar:

e o homem olha o céu

que escurece, a terra

que seu amor reconhece,

e sente o coração

pulsar. Caminha ao mar,

que tudo vai ao mar.

 

Francisco Brines

Trad. de Leonardo Vieira de Almeida

 

ELCA

  

A Juan Bautista Bertrán

 

    Ya todo es flor: las rosas

aroman el camino.

Y alli pasea el aire,

se estaciona la luz,

y roza mi mirada

la luz, la flor, el aire.

 

    Porque todo va al mar:

y larga sombra cae

de los montes de plata,

pisa los breves huertos,

ciega los pozos, llega

con su frío hasta el mar.

 

   Ya todo es paz: la yedra

desborda en el tejado

con rumor de jardín:

jazmines, alas. Suben,

por el azul del cielo,

las ramas del ciprés.

 

   Porque todo va al mar:

y el oscuro naranjo

ha enviudado em su flor

para volar al viento,

cruzar hondas alcobas,

ir adentro del mar.

 

   Ya todo es feliz vida:

y ante el verdor del pino,

los geranios. La casa,

la blanca y silenciosa,

tiene abiertos balcones.

Dentro, vivimos todos.

 

   Porque todo va al mar:

y el hombre mira el cielo

que oscurece, la tierra

que su amor reconoce,

y siente el corazón

latir. Camina al mar,

porque todo va al mar.

 

Francisco Brines

Do livro Palabras a la oscuridad (1966)

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About Me

Sou Leonardo Vieira de Almeida, escritor, Mestre em Literatura Brasileira (UERJ) e Doutorando em Estudos de Literatura Brasileira (PUC-RIO). Autor do livro de contos Os que estão aí (Ibis Libris, 2002), e de contos publicados no suplemento literário Rascunho, do Jornal do Estado do Paraná, no jornal Panorama e nos sites literários Paralelos, Bestiário, Cronópios, Germina, Confraria do Vento e pequena morte. Co-autor do livro À roda de Machado de Assis: ficção, crônica e crítica (Editora Argos, 2006). Também sou tradutor e vivo no Rio de Janeiro. Ministro oficinas de escrita do conto tanto presenciais quanto pela Internet. Os interessados devem entrar em contato pelo e-mail: leonardo33vieira@yahoo.com.br

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